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quinta-feira, 2 de maio de 2013
Mentalidade de um povo
Na última entrevista dada pelo Emílio Santiago ao programa Encontro com Fátima Bernardes, ele contava que começou a trabalhar muito cedo, que aos 14 anos já estava empregado, pois vinha de uma família pobre e precisava trabalhar.
Eu vi ao longo da minha vida várias crianças que tiveram que trabalhar muito cedo e depois se tornaram adultos bem sucedidos e crianças que nunca trabalharam e não se tornaram tão bem sucedidos como os que tiveram que trabalhar na infância.
Hoje é impossível se contratar um menor de 18 anos a não ser que seja no programa Jovem Aprendiz, o que reduz e muito as vagas para o menor que deseja ou tem que trabalhar.
Nesses últimos tempos frequentei alguns cursos e percebi que a mentalidade dos mais jovens também mudou. Os mais novos até rejeitam a ideia de trabalhar e os menos favorecidos só pensam em arranjar uma bolsa oferecida pelo governo.
Eu acredito que essa seja uma situação muito triste, pois o jovem não pensa mais em conseguir algo com seu próprio suor e ainda sobrecarrega pais e mães que possuem 2, 3 filhos com idades em que poderiam estar produzindo e não podem, pois é proibido por lei.
Trabalhar atrapalha os estudos, pois a pessoa fica cansada e depois tem que ir para a escola.
Quem trabalha não tem tempo para estudar.
Todas essas afirmações podem estar certas por apena um ângulo, pois quem me garante que o adolescente que fica em casa vai estudar.
O leitor pode afirmar que eu tirei estas afirmações do nada, pois nunca trabalhei na adolescência, mas não.
O meu filho não trabalhava, não lavava um copo dentro de casa e foi reprovado 3 vezes na mesma série. Fomos cortando tudo dele até o ponto que teve que trabalhar para comprar suas coisas. Hoje ele estuda e trabalha e suas notas aumentaram consideravelmente.
De primeiro, suas roupas ficavam jogadas pela casa, por debaixo da cama ou em algum canto sem o menor cuidado. Hoje todas as suas coisas ficam organizadas, guardadas e suas roupas vão para a caixa de maneira que não se estragam mais, pois ele sabe quanto custou cada uma delas.
Todos os dias vemos nos telejornais que há mais menores comendo crimes e acredito que o aumento desse índice esteja relacionado com o fato de que o menor não possa mais trabalhar com carteira assinada.
Não é uma punição, mas quando um jovem não queria estudar os pais o colocavam para trabalhar e, cedo ou tarde acabavam dando valor ao tempo em que não quiseram estudar. Pena que hoje isso só ocorre quando já é muito tarde para se recuperar algum tempo...
Quando me mudei para cá havia um pedreiro que trazia seu filho de 13 anos para ajudá-lo nas obras e achava aquilo um absurdo, pois criança precisa estudar.
O menino não repetiu uma série sequer e hoje é dono de um sacolão.
Há exploração infantil?
Sim, mas isso continua acontecendo e pior, pois o menor não pode ser empregado legalmente e acaba sendo recrutado nas comunidades carentes pelo tráfico.
Temos que rever muitas leis em nosso país, mas tenho certeza que as leis que tratam os menores devem ter prioridade, pois afinal serão esses menores que estarão comandando o nosso país no futuro.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Preconceito nos olhos de quem vê
Faz tempo que não não sinto vontade de me manisfestar a cerca de assunto nenhum, mas essa semana eu vi tanta polêmica sobre uma imagem publicada nas redes sociais que resolvi expor a minha opinião.
Essa imagem de um trote realizado em uma universidade causou tanta polêmica que valeu até reportagem nos jornais Globais.
A imagem mostra uma caloura acorrentada, pintada de tinta preta e com uma placa dizendo que era a Chica da Silva.
Muitos se manifestaram dizendo ser preconceito racial, blá, blá, blá, blá...
É sabido e provado que todo brasileiro, independente da cor da sua pele, tem em seu DNA o negro, o indígena e o europeu. Então TODOS temos um pezinho em cada uma das raças que formaram a principal etnia do país.
Chica da Silva existiu e foi escrava. Será que nunca foi acorrentada?
Para mim, é só o que a imagem representou.
Vejo muito mais preconceito e racismo em alguns programas humorísticos que mostram personagens em seu cotidiano, como se fosse uma característica geral de uma estrutura social.
Vejo novelas em que as classes menos favorecidas são mostradas fazendo churrasco na laje e tomando cachaça a rodo!
Toda piada tem um fundo discriminatório. Então vamos parar de fazer piadas!
Muitos riem quando alguém leva um tombo, mas uma queda não tem graça nenhuma para quem cai.
Eu vi muitas afirmações na Internet do tipo: "Eu não sou descendente de negro escravizado, sou descendente de pessoas que foram escravizadas."
Está certo que os trotes de faculdades já foram muito além de uma mera diversão e deveria ser moderado. Mas ao invés de proibir, deveria-se criar limites para eles, pois de certa forma são um rito de passagem. E sabe o que acontece com seres humanos que não vencem esses ritos?
Tornam-se pessoas que não tem garra ou força de vontade para vencer nenhum obstáculos e acabam se tornando pessoas tristes, mal sucedidas.
Pior. Se classificarmos TUDO como bullying, assédio, racismo, preconceito, as pessoas farão mais e mais coisas escondidas. Teremos uma sociedade pervertida, cometendo crimes e mais crimes as escondidas.
Eu, particularmente, olhei para a imagem e senti o constrangimento da pessoa - que não dá para saber se é homem ou mulher - e pensei: "ridículo".
Não achei graça, não me senti ofendida, não achei que foi uma forma de racismo. Achei sim que foi uma forma de expor a pessoa a uma posição vexatória - como na maioria dos trotes.
Mas se pintasse a pessoa de verde e colocasse uma placa: ET de Varginha; tinha causado tanta polêmica?
Mas não teria sido tão vexatório quanto?
Então vamos parar de pensar que tudo é racismo.
Vamos parar de impor a uma sociedade uma visão de inferioridade racial.
Quem se sentiu ofendido e humilhado é mais racista que o menino que acorrentou o colega.
Quem faz esse alarde todo é porque se sente inferior e transforma esse sentimento em ira contra qualquer um que venha algo que saia das suas regras de conduta para com os inferiores - não estou dizendo que há raça inferior, apenas que existem pessoas que se sentem tão subjugados pela sociedade que se classificam assim.
Lembro que até o Tiririca foi acusado de racismo, certa vez.
Podem me criticar, mas quando me perguntam minha etnia, gostaria de ter a opção de marcar "brasilidade", pois cada um de nós não representa apenas uma, mas todas as raças que estiveram na formação desse imenso país.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Lixo
A questão do lixo deixou de ser problema político-ambiental e já se tornou um problema social.
Em nosso país, não observamos uma cultura de reciclagem ou reaproveitamento de alimentos.
Algumas iniciativas privadas tentam mobilizar a população para a questão, entretanto ainda são muito tímidas para serem consideradas efetivas.
Moramos em um país de dimensões continental e, talvez por isso, ainda não sentimos o impacto desse problema, mas a explosão demográfica fará com que em breve tenhamos que tomar atitudes enérgicas sobre o assunto.
Recentemente na Comunidade do Bumba tivemos uma demonstração de como a união entre a falta de políticas ambientais, explosão demográfica unidas com a política eleitoreira e a falta de uma política social podem causar sérios danos à sociedade e ao meio ambiente.
Esse é um tema que pode ser abordado sob diversos prismas e um deles é o desperdício.
Segundo a ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), cada brasileiro produz 378 quilos de lixo por ano!
O consumo consciente não é uma prática adotada pela grande maioria das pessoas no Brasil.
Basta uma breve visita ao CEASA para perceber que o descuido no manuseio dos alimentos causa um enorme desperdício. Em poucos minutos de funcionamento o chão fica repleto de alimentos que, se manuseados de forma correta e consciente, poderiam estar abastecendo casas e estabelecimentos comerciais.
Segundo pesquisa do Centro de Agroindústria de Alimentos da Embrapa, 30% de todo o desperdício de comida no país ocorre nos Centros de Abastecimentos – CEASA.
A produção de meses pode se tornar lixo em apenas um dia de trabalho e poderia alimentar centenas de famílias.
O banco de alimentos do CEASA-RJ é central de arrecadação, processamento e distribuição de alimentos que não estão em condições ideais de comercialização, mas que estão em perfeitas condições para consumo. Entretanto, a solução está longe de ser a ideal, pois em uma central das proporções do CEASA-RJ, apenas 80 instituições estão cadastradas.
Basta ficar minutos caminhando pelo local para perceber que o descaso com o manuseio dos alimentos é cultural. Já virou hábito limpar os produtos e jogar fora a parte estragada ou amassada, como se o custo da produção do alimento fosse zero!
Quando nada atrapalha o andamento da cadeia de suprimentos, não se sente a proporção desse desperdício e tudo que “não está próprio para a comercialização” vira lixo.
E para onde vai o que não é aproveitado nessas centrais de abastecimento?
Atualmente todo o resíduo produzido vai para aterros sanitários ou lixões.
Imaginem 80 toneladas de resíduos sólidos sendo despejado diariamente em um aterro sanitário...
Estudos mostram que parte do resíduo pode ser transformado em energia e parte pode virar adubo, mas é muito estudo para pouca vontade política, afinal, todos os dias “sobram” 80 toneladas para serem desperdiçadas enquanto centenas de famílias passam fome em nosso estado.
O lixo da maneira que é processado hoje se transforma em um grande custo social, pois além do desperdício residual, temos o desperdício da área necessária para o “despejo” desse material.
O que ocorre nas dependências do CEASA é apenas uma versão ampliada do que ocorre nas residências ao longo dos dias, pois segundo pesquisas, uma pessoa produz em média um quilo de lixo por dia.
Imaginem que a coleta de lixo fosse suspensa. Em apenas um mês o lixo produzido em uma casa com três pessoas seria desesperador.
Também pouco adianta fazer a separação do material orgânico e inorgânico se não há coleta seletiva e tudo acaba “misturado” no caminhão compactador. Todo material que é lavado e separado acaba ficando contaminado, pois entra em contato com os demais materiais recolhidos.
Então a solução é a diminuição dos resíduos orgânicos.
Muita gente não sabe, mas todo material orgânico pode virar adubo, seja batendo as cascas de legumes e frutas no liquidificador ou colocando os resíduos nos canteiros e jardins – cavando-se uma vala e cobrindo com a terra que foi retirada.
Os resíduos também podem ser colocados numa garrafa pet com areia, alternando a colocação de resíduos e areia, até chegar ao topo. Tampa-se a garrafa e depois de 2 meses tem-se terra adubada para vasos de plantas.
Só essa medida já diminuiria em 50% de todo lixo produzido.
Muita gente não sabe, mas, um simples algodão usado para limpar as unhas com acetona, não deveria ser descartado no lixo comum, pois comprometeria tudo que estiver dentro dele.
Outra medida muito simples é entrar em contato com ONGs que fazem a coleta seletiva para que as mesmas coloquem latas de reciclagem em seu condomínio ou que fazem coletas nas ruas.
Quanto mais pessoas tomarem essas medidas, mais o meio ambiente agradece.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Se fosse hoje em dia...
Minha avó contava que a minha bisavó, cada vez que tinha um filho, deixavam uma criança em sua porta e ela acabava amamentando e criando junto com os seus filhos legítimos.
Minha avó teve 8 filhos e isso começou a ocorrer lá pelo 5 filho, então ao invés de 8, criou 11.
Meu bisavô era chefe de estação de trem e também negociante de café, portanto, viviam muito bem financeiramente.
Como eram muitas pequenas bocas para alimentar, minha bisavó costumava fazer uma enorme bacia de alimentos e, com uma colher, dava comida na boca de todos.
Certa vez, minha bisavó tinha feito "uma baciada" de abacate e estava servindo colheradas para todos quando um dos seus filhos do coração a interrompeu:
" - É mãezinha, quando é para os seus filhos de verdade, a senhora enche mais a colher."
Minha bisa olhou para a menina sem dizer uma só palavra, interrompeu o lanche, desceu uma por uma as criança de cima da enorme mesa de maneira e mandou que apenas a menina ficasse na cozinha.
Foi para a pia e amassou abacate. Suficiente para encher de novo a bacia.
Minha bisavó chegou com a bacia e foi servindo, colher por colher, todo o abacate que estava dentro da bacia até que não sobrasse nada.
A menina comeu, vomitou, comeu de novo e serviu de exemplo para que nenhuma das outras 10 crianças reclamasse...
Se fosse nos dias atuais, certamente nenhuma das 3 crianças poderia ter ficado com ela: teriam que ser entregues ao conselho tutelar.
Mas vamos dizer que tivessem ficado com ela. Vamos dizer que a história tenha acontecido exatamente da mesma maneira...
Se nenhum vizinho a tivesse denunciado, provavelmente após a menina passar mal e ser levada ao hospital e narrar a história para qualquer pediatra politicamente correto, minha avó teria sido presa e processada por racismo, discriminação e por maus tratos a menor!
Apesar de todo dinheiro que meu bisavô tinha, morreu aos 34 anos e minha bisavó foi enganada pelo sócio dele e apenas lhe sobrou a enorme casa onde viviam e onde ela montou uma pensão para que pudesse acabar de criar cada um dos 11 filhos, sem abandonar nenhum!
Alguns estudaram, outros não quiseram, mas nenhum virou bandido ou ficou revoltado com "a linha dura" que ela impunha aos filhos...
sexta-feira, 24 de junho de 2011
O inverno chegou!
O inverno chegou realmente.
Para mim é a pior estação do ano, pois eu visto roupas de frio ao menor sinal de vento mais forte, quanto mais quando o nome da estação já sugere que vai fazer frio.
Se eu pudesse, faria como os ursos e hibernava. Dormia bem quentinha durante todo maldito inverno e, quando acordasse sairia para tirar umas belas fotos ao lado de um belo jardim florido.
Minha mãe costumava dizer que gostava do inverno porque as pessoas ficavam mais elegantes, pois tinham que vestir mais roupas e ficavam até mais bonitas.
Realmente, se for uma pessoa que sente o frio que eu sinto, tem que se vestir um bocado de roupa para sair na rua.
Até hoje eu tento inventar uma roupa para meu pobre nariz que sempre fica com a ponta gelada por causa do frio, mas até o momento não consegui resolver o dilema entre respirar e agasalhar corretamente o nariz - sem falar que todas as tentativas ficam meio parecidas com máscaras e fico com medo de me confundirem com Michael Jackson, agora que pintei meu cabelo de preto.
Já pensaram se me confundem com o fantasma do Michael e acham que eu voltei para assustar criancinhas - de novo!
Bem, bobeiras a parte, basta vencer o marasmo para aproveitar alguma festa junina e comer alguma coisa "engordiet" como pamonha, curau, canjica, e por ai vai...
Nessa época um determinado ser é facilmente identificado: as periguetes.
Periguete é um ser endotérmico. Faça o frio que fizer, a periguete consegue gerar calor através da sua dança ou da mastigação de um simples chiclete.
Enquanto os "seres normais" circulam pelas ruas com seus casacos grossos, cachecóis e calças compridas mais espessas, as periguetes andam tranquilas em suas micro saias e seus tops minúsculos, que tem bem mais do que um decote generoso.
Enquanto todos estão tremendo, as periguetes estão dançando qualquer música idiota e de letra que exprime uma profundidade absurda que estiver na imensa caixa de som, paga pela prefeitura, candidato a vereador ou associação de moradores que estiver querendo esconder gastos inexplicáveis.
Toda festa junina hoje tem, pelo menos, quatro caixas de som de mais de 1,80 de altura, cada uma!
Se você quiser fazer uma periguete feliz é só repetir o refrão: "Você não vale nada mais eu gosto de você..."
Mas cuidado que ela pode se empolgar pode te perguntar se é de uva e você vai se ver em maus lençóis...
Periguete não respeita mais nem quermesse!
Não importa de a festa é de São João, São Pedro ou Santo Antonio. Sempre tem uma periguete com as pernocas de fora, balançando a bundinha ao som de um grupo de forró que julga que suas letras são muito engraçadas.
Depois do Falamansa, não vi surgir nenhum grupo de forró decente. Pelo contrário, os grupo de forró estão trilhando o mesmo caminho do funk: rompendo o limite da vulgaridade para se tornar ponográfico.
É tanto corno, vadia e outras coisas que nem gosto nem de mencionar que logo as pessoas vão começar a fugir das festas de forró, deixando apenas as periguetes para encarar a situação!
Engana-se quem acredita que o termo periguete se refere apenas as moçoilas cujos os hormônios estão em ebulição. Não! Periguete não tem idade e nem classe social.
Basta você olhar para o seu lado que certamente encontrará uma.
O fenômeno vem se multiplicado de maneira espantosa e, acredito eu, que a culpa seja da alta nos preços das roupas de frio. Principalmente das roupas femininas que acompanham a moda.
A verdade é que eu prefiro ficar bem quentinha com as minhas roupas de frio do ano passado a usar roupas de verão no inverno.
Outro lugar onde o inverno nem passa perto são nas propagandas televisivas.
As propagandas continuam apresentando pessoas de biquinis e sungas na beira da piscina comendo churrasco e tomando cerveja. Quem em sua sanidade vai tomar cerveja e tomar banho de piscina com um tempo desses?
Por mais calor que faça um dia de inverno, a água da piscina parece ter saído direto da geladeira!
Será que não dá para vender cerveja sem causar calafrios em quem está assistindo a televisão?
Bem, mas a verdade é que o inverno chegou, pelo menos para alguns.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Cidade Aterrorisada
Mais um dia de terror no Rio de Janeiro.
Eu, como não precisava sair, fiquei em casa. Meu marido, por um acaso do destino não foi a Santa Cruz e, se tivesse ido não teria como voltar para casa.
Até o momento, 30 veículos foram incendiados, mais de 100 pessoas foram presas, 26 pessoas morreram.
Só policiais na rua são 17.500, sem contar os fuzileiros navais e policiais rodoviários federais convocados pelo governador do estado.
Agora, nesse momento, enquanto escrevo esse texto, mais um ônibus foi incendiado na Av. Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro.
Um indivíduo, preso pelos policiais após incendiar uma Van, os traficantes estão pagando 250,00 por carro e 350,00 por ônibus ou caminhão incendiado.
Usuários de crack também estão sendo recrutados pelo tráfico para incendiar veículos, recebendo o seu pagamento em droga.
O medo tomou conta da cidade e dos moradores.
Onde está a política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro?
O que o nosso governador tem a dizer sobre os atentados sofridos pelo Rio de Janeiro no dia de hoje?
Os policiais invadiram hoje a comunidade de Vila Cruzeiro, que se tornou o Quartel General do tráfico, obrigando os marginais a fugirem pelo alto do morro em direção ao Complexo do Alemão.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 150 escolas municipais não funcionaram hoje.
Muitos colégios particulares dispensaram os alunos mais cedo.
O comércio fechou por volta de 4 horas da tarde e está sendo oferecido abrigo a moradores que moram em área de risco e que não conseguiram voltar para casa.
Um bilhete deixado pelos traficantes, afirmava que "eles" tomariam de volta os territórios dominados pelas milícias, isto é, está declarada a guerra em todos os níveis na cidade do Rio de Janeiro.
O que mais me impressiona nisso tudo são as táticas de guerrilha utilizada pelos traficantes. Até uma bomba relógio foi encontrada hoje na cidade e duas granadas foram detonadas em um supermercado que não respeitou o "toque de recolher".
Não sei se na tentativa de intimidação, mas o tráfico revelou que possui 300 metralhadoras .30 e fuzis antimísseis.
A situação esteve mais complicada no bairro da Penha e do Jacarezinho, mas, por toda cidade o clima é de insegurança.
Como afirmei no texto anterior, o ataque do traficante pode vir de qualquer lugar, até porque precisam desviar a atenção do maior número de policiais para que possam fugir da Vila Cruzeiro.
Eu vou confessar que estou realmente assustada com toda essa situação e que o medo já mudou a rotina da minha família: Amanhã meu filho não irá ao colégio e pedi para minha mãe que não viesse a minha casa no sábado, para que ela não passe na Avenida Brasil.
O governador Sérgio Cabral deu mais uma declaração polêmica, dizendo que tudo que estava acontecendo na cidade não passava de "frescura de traficante".
É frescura de traficante uma menina de 14 anos ser baleada, dentro da sua casa, em frente ao computador que acabara de ganhar?
É frescura de traficante um senhor de 81 anos ser baleado no braço dentro da empresa em que trabalha?
Se isso é apenas frescura de traficante, nem quero imaginar quando eles resolverem agir de maneira mais séria.
Eu gostaria de lembrar ao governador do Rio de Janeiro que "o povo derrota o Czar, derrota até quem põe no lugar."
Visivelmente o Rio de Janeiro está sem governo!
Certamente há mais coisas por trás disso tudo do que está se informando a população da cidade, mas uma coisa há de se falar: a polícia está reagindo exatamente como a população espera. Nunca na história da cidade o índice de aprovação da população foi tão grande em relação às ações da polícia como é hoje. - me desminta se alguém puder me provar o contrário.
Hoje, com certeza, teremos mais uma madrugada violenta e essa guerra não está em vias de acabar, pois os traficantes não parecem que pretendem se entregar, a polícia não parece disposta a parar até que prendam os marginais, mas, pelo menos, uma nova ordem está se formando na cidade.
Se o governo do estado não fizer nenhum "trato" com os traficantes - como fez com a implantação das UPPs, avisando onde e quando seriam implantadas, segundo o governador para evitar justamente esse confronto - teremos uma cidade muito mais tranquila e segura, pelo menos até a vagabundagem se reorganizar.
Eu espero realmente amanhã conseguir pensar em outra coisa, que não a violência da cidade e nas pessoas que amo que estão na rua e que ainda não chegaram em casa.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Vamos falar de bullying?
Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.
Ultimamente os programas de TVs vêm falando constantemente sobre o assunto.
A verdade é que esse tipo de coisa sempre aconteceu, a diferença está na forma como é encarado pela vítima e na violência que é utilizada nos dias de hoje.
Trotes e apelidos maldosos sempre foram utilizados por adolescentes.
Meu marido, ao entrar para o Colégio Pedro II de São Cristóvão, ganhou o simpático apelido de “Capitão Gay”.
Para quem não conhece, era um personagem do programa do Jô Soares, no “Viva o Gordo”. – Veja o vídeo.
Até hoje seus amigos de colégio se lembram dele pelo apelido.
Isso não era um tipo de discriminação?
Se me lembro bem, essas turmas tinham 40, 45 alunos. Agora imaginem todos te chamando de “CG” – diminutivo de “Capitão Gay”.
Temos ai dois tipos de agressão verbal: Ele era chamado de gordo e de gay ao mesmo tempo.
Reações mais violentas também aconteciam, entretanto, era tratado de uma forma diferente.
É certo que o mundo está mais violento, as pessoas estão mais violentas.
Hoje assistindo a um telejornal vi 3 carros serem incendiados, 1 mulher sendo morta por ex-companheiro, vários assaltos e “arrastões”, pessoas que se dizem perseguidas por milicianos e 4 brigas de boates!
A facilidade de mostrar os fatos também é muito maior, pois hoje em dia qualquer criança de 6 anos tem um celular que filma!
Isso, por um lado é muito bom, pois você instrui a criança para filmar tudo que ela achar que está errado.
Meu filho, por exemplo, filmou a professora correndo atrás dele para tomar o seu celular à força, quando ele se negou a entregar, quando ia entrar num ônibus para um passeio escolar.
Entendo que celular tocando dentro de sala incomoda, mas em um passeio?
O celular é sim uma arma contra o bullying!
O principal que todos deixam de falar é que o bullying só existe porque a pessoa se coloca na posição de vítima eterna e “permite” que o agressor se sinta poderoso.
No caso de meu marido, embora ele se sentisse desconfortável com o apelido, resolveu “encarar” o personagem, dando ao seu agressor a sensação de frustração.
Por mais que o agressor tentasse denegrir a sua imagem perante os outros alunos do colégio, ele mostrava que pouco se importava. Era como se dissesse:
- Sou gordo? E daí?
- Sou gay? E se for?
Se reagisse de outra forma, talvez a reação do agressor fosse ainda mais violenta.
Diga que é mentira quem nunca sofreu esse tipo de agressão no colégio.
Eu era gorda e sofria uma série de discriminações por causa disso. Acabei me isolando e desenvolvendo um misto de bulimia com anorexia.
O mundo perfeito não existe, pessoas perfeitas não existem. Todos nós temos defeitos.
A grande diferença no bullying praticado hoje e no bullying praticado há 10, 20 anos atrás, está na importância que se dá ao fato.
Quem nunca sofreu discriminação por ser diferente?
Diferente sim, somos todos diferentes. Se eu procurar um defeito em qualquer pessoa eu vou achar. E se eu resolver usar isso para denegrir essa pessoa e sentir que ela se “incomodou” com isso, vai me causar uma sensação de poder.
Já se perguntaram por que os paparazzis incomodam tanto?
Porque tentam mostrar as celebridades em situações constrangedoras que, para mim, é um tipo de bullying alimentado pela indústria da curiosidade humana. Mas isso é assunto para outro texto.
Agora, meu caro leitor, gostaria que respondessem, mesmo que mentalmente, algumas perguntas:
1 – Você já teve algum apelido no colégio que não gostava?
2 – Qual?
3 – Alguma vez se sentiu ameaçado ou teve medo de algum colega de turma?
4 – Já fez algum trabalho de escola em que sentiu necessidade de colocar o nome de alguém apenas para se sentir enturmado ou por medo?
5 – Já sofreu alguma agressão física no colégio?
6 – Já se sentiu usado por alguém que ouviu seus sentimentos e depois contou para todos de modo pejorativo?
7 – Já se sentiu excluído apenas por ser considerado diferente?
8 – Já se sentiu julgado por sua cor ou condição social?
9 – Já teve a impressão de que quando você passa as pessoas falam de você?
10 – Já esteve em algum local que, quando você chega, as pessoas se afastam?
Se você respondeu sim para 4 ou mais perguntas, você já sofreu bullying.
Não fique triste, pois eu respondo sim para as 10 perguntas, aliás, as perguntas são baseadas na minha experiência de vida, que sou atéia num condomínio fechado onde todos são evangélicos – ou fingem ser.
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